Um rio nunca é o mesmo..


EU... caçador(a) de mim


O fator tempo muda de forma irreversível um objeto ou entidade...

e o que pensamos ser a mesma coisa, só porque tem o mesmo nome, na realidade é algo em fluxo contínuo de mudança.

Compartilho o meu olhar...o meu olhar mutante.

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dezembro 03, 2009

ILHA DAS FLORES - DOCUMENTÁRIO



Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.


Para saber mais sobre o filme

novembro 05, 2009

Mais sugestões de vídeos, que podem e devem ser usados nas discussões na escola:



Animação/Diretor Márcio Ramos/2006




Animação/Benjamin Willis/2002

outubro 31, 2009




Joaquim Baldwin é o criador deste curta chamado Papiroflexia – “origami” em espanhol –, que procura refletir sobre o mundo e como poderíamos moldá-lo caso ele fosse de papel, alterando todo o caos urbano gerado pelo homem e convertendo todo esse quadro. Lindo!!!

setembro 09, 2009

Oficina de construção de brinquedos com sucatas

Na creche, sábado próximo - 12/09 - faremos mais um encontro com os familiares/comunidade.

As oficinas de construção de brinquedos serão o tema do encontro.
Os familiares farão brinquedos, juntamente com as crianças, usando materiais que seriam descartados.

Um dos objetivos do evento é formar e informar aos pais e/ou responsáveis, sobre a importância do brincar no desenvolvimento das crianças.

As atividades, por reutilizarem sucatas, procurarão, também, sensibilizar crianças e adultos envolvidos, com as questões do meio ambiente.

O vídeo, que segue abaixo, com outras sugestões de brinquedos além dos que serão feitos no dia, também será exibido nesse dia, ilustrando melhor o tema.

agosto 06, 2009

junho 28, 2009

"Pro um dia nascer feliz"

O documentário de João Jardim se propõe a mostrar as inquietações dos adolescentes, e em especial o papel da escola na sua formação. Nele, é apontada a realidade de muitas escolas de várias regiões brasileiras.Apesar do vídeo abordar o contexto escolar do ensino médio,e trabalharmos com a faixa de 0 a 3 anos, ajudou a equipe da escola,numa reunião pedagógica, discutir e refletir sobre a qualidade da escola,porque algumas questões apontadas são as mesmas, ou melhor, são questões da educação brasileira de uma maneira geral. O documentário auxilia nas discussões porque mostra, além de outras questões educacionais, as falhas do sistema, apontando suas consequências.
É um recurso que eu recomendo para ajudar nas discussões com a equipe escolar.


abril 25, 2009

Semente do amanhã- Gonzaguinha

Na escola,usamos essa música no encontro do dia 23/04/09 com os pais.
Esperamos que a mensagem tenha sido entendida e sentida pela maioria.



Gonzaguinha - Semente Do Amanhã

Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere não, nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

Letras de Música | Letras de Gonzaguinha

outubro 11, 2008

1ª Convenção Escolar – Temporada 2008

Semana que vem, no dia 15/10, comemoraremos o "DIA DO PROFESSOR, e como não eu não poderia deixar de fazê-lo, antecipo a minha homenagem a todos, inclusive a mim mesma, com um texto que já utilizei com outra personagem a "Super mãe", mas que cabe perfeitamente a esta personagem a "SUPER PROFESSORA".

Sintam-se homenageados todos aqueles, que escolheram esta profissão.

PARABÉNS A TODOS NÓS!!!

Então vamos ao texto.




"1ª Convenção Escolar – Temporada 2008 "

"Queridos alunos, equipe, familiares e comunidade!

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a presença de todos nesta Primeira Convenção Escolar. Sei como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês.

A Diretora tinha uma reunião com a Orientadora praticamente inadiável, a Coordenadora já tinha marcado a data para seu curso de capacitação em Artes, a família e a comunidade, ocupadas com coisas da vida diária, e os alunos ocupadíssimos com os coleguinhas numa brincadeira divertidíssima.

A Professora está comovida com a presença de todos. Muito grata!

Bem, esta convenção é para comunicar ao público interno e externo - Orientadora, Diretora, Coordenadora ,funcionários , alunos e seus familiares - todas as modificações nos produtos e serviços da "LINHA PROFESSORA".

Como vocês sabem, a última vez que "Professora" passou por reformulações foi há vários meses, quando tirou suas merecidas férias. De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais.

A PROFESSORA precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada.

Para começar, "Professora" vai mudar a embalagem. "Professora" sabe que esta é uma decisão polêmica, mas, acreditem, é o que deve ser feito. "Professora" sai desta convenção direto para um SPA, e de lá para um HOTEL FAZENDA.

Nada assim tão radical. Haverá pouquíssimas alterações de rótulo, vocês vão ver.
"Professora" vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros. Depois, da repaginada por fora, vai passar por um período de desintoxicação mental, necessária no meio do ano letivo.

Ahh, claro, "Professora" vai conseguir captar recursos no mercado, com o abono salarial que receberá no final do ano.

"Professora" vai ser patrocinada por uma nova marca - Lei Rouanet, porque "Professora" também é cultura.

Junto com o lançamento da nova embalagem de "Professora", no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento.

Sinto informar, mas "Professora" vai tirar do mercado o produto "Superprofessora".

Não, não, não adianta reclamar, "Superprofessora" já deu o que tinha de dar. Trata-se de um produto anacrônico e superado,antieconômico e difícil de fabricar.

"Professora" sabe que o fim da "Superprofessora" vai aumentar a demanda pelas linhas "Equipe Técnica" e "Família" ...Paciência, não se pode atender a todos os públicos o tempo todo.

No lugar da "Superprofessora", "Professora" vai lançar (queriam que eu dissesse 'vai estar lançando', mas eu me recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado,claro.

Vocês vão poder consumir "Professora" nas versões:

Active (executiva e profissional);

Light (com baixos teores de pegação de pé);

Classic (rígida e orientadora);

Italian (superprotetora) e

Do-It-Yourself (virem-se, fui passear no shopping).

Mas, importante: uma de cada vez, sem misturar!!!

Ah, sim, "Professora" detesta esses nomes em inglês, mas disseram que, se não for assim, o produto não vende.

"Professora" gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar seus novos canais de comunicação. De hoje em diante, em vez de sair gritando pela classe, vocês poderão ligar para o SAC- Professora, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos).



"Professora" também aceita sugestões e críticas no endereço virtual professora.feliz@gmail.com

Mais uma vez "Professora" agradece a presença e a atenção de todos. "


15 de outubro de 2008

setembro 13, 2008

A VIDA E O LEGO

Este ano, optei por trabalhar num segmento um pouco diferente.
Continua sendo na área da Educação, mas, não mais na sala de aula.
Trabalho especificamente com Educação Tecnológica e Robótica.

Confesso que logo de início, me perguntava: "fiz uma boa escolha?"





Apesar de já trabalhar com o material estruturado (Lego)com as crianças, em sala de aula, a verdade, é que pouco conhecia as diversas possibilidades desse "processo educativo" (é como chamamos Educação Tecnológica em
nossa rede , embora eu discorde, por acreditar que é mais do que isso...)

Agora, diante de tudo o que aprendi nesses oito meses, posso afirmar que fiz uma ótima escolha.

E assim é na vida. O modelo a seguir , embora pré-determinado, confortável, seguro e tranquilo, nem sempre nos basta.

É preciso arriscar, acreditar em novas possibilidades.

Bom, para ilustrar melhor meu pensamento, o texto abaixo é perfeito.
Encontrei-o "por acaso" (já escrevi anteriormente, que não acredito no acaso), visitando outro blog.


Ele estabelece relações entre o Lego e nossas vidas.


Agora veja você mesmo, se não há essas relações.



Bukowski e os blocos de Lego

A vida não é um jogo. Ela está mais próxima de uma caixa de Lego. Um Lego num nível bastante alto, mas ainda um Lego.

Nós recebemos uma caixa de Lego com uma certa quantidade de blocos e peças, quantidade essa definida e, quase sempre, invariável. Evidentemente no nosso caso existem peças mutáveis, defeituosas, tortas e multifuncionais. Bem, como eu disse, é uma caixa de Lego de alto nível.

E um manual, claro. Toda caixa de Lego possui um manual. Um pedaço de papel aparentemente simples, que indica em qual ordem e posição cada uma das peças deve ser colocada, garantindo que ao final da montagem você tenha uma figura pronta. Pode ser realmente simples, dado que o ato de encaixar os blocos e peças não nos obriga a pensar muito, especialmente quando se tem um manual.

Mas pense no que falta a esta caixa de Lego que cada um de nós possui. Falta personalização, ou seja, falta dizer que não precisamos realmente de todas as peças ou que elas não precisam ser encaixadas daquela maneira específica. O modelo colocado no manual normalmente é o mais comum e fácil. Não vá me dizer que nas caixas de Lego reais você nunca se esbaldou procurando outras alternativas de encaixe que, no final, resultaram em figuras muitos mais interessantes.

Falta criatividade e autenticidade: caixas de Lego vêm cheias de armadilhas. Armadilhas que te convencem que seguir o manual é melhor e garante que você tenha algo estável no final da montagem. Armadilhas que bloqueiam sua criatividade e às vezes te deixam pensando que é melhor mesmo montar daquele jeito e não arriscar.

Charles Bukowski contou-me certa vez que o maior prodígio da vida é escapar das armadilhas que esta coloca diante de nós. Estão por toda parte e escapar delas é uma forma bastante pessoal de se atingir objetivos na vida. Objetivos que realmente queiramos e não os que simplesmente aceitamos porque "os blocos só encaixam dessa maneira".

Olhos atentos no seu Lego, portanto. Questione as peças, interrogue os blocos. Encaixe somente quando e onde quiser. Entenda que o manual pode te dar a idéia geral de como a figura final deve se parecer, mas nem de longe deve ser seguido à risca. Fuja das armadilhas. No fim todos teremos nossas figuras montadas, mas você sempre pode escolher entre usar a sua imaginação ou o manual. (grifo meu)
See Ya

julho 18, 2008

CONTRATO PARA DOCENTES DE 1923


Esta semana,no dia 16/07/08 entrou em vigor o novo piso salarial nacional para os professores
Além disso, outros benefícios foram sancionados pelo governo federal.

O piso do magistério é uma luta antiga da classe, além de outras reivindicações. Isso demonstra que houve muitos avanços na educação em nosso país, mas muito ainda há por fazer.

Além desta notícia, recebi também, como curiosidade, através do correio eletrônico, um contrato com as regras para uma docente nos Estados Unidos em 1923!!!

Lendo tais regras, é difícil acreditar que elas realmente existiram, mas fica aqui como uma ilustração do que foi, e que provavelmente muitas dessas regras foram por nós copiadas, uma vez que nossos modelos educacionais anteriores foram reproduzidos diante de modelos externos.

A notícia, o contrato e suas regras me fizeram recordar um filme inesquecível -"AO MESTRE COM CARINHO" dos anos 60 (também americano!) cuja música tema toca ao fundo.

Para quem conhece, é só pra relembrar, mas para quem ainda não assistiu,é uma dica de filme que vale a pena conhecer.

Citado em Trabalho docente e textos. Michael Apple. (Versão brasileira)

maio 07, 2008

Educação eco-centrada





Leonardo Boff




Há duas portas de entrada para a educação e para a socialização da vida humana: a família e a escola. Da família herdamos ou não o sentido da acolhida e da auto-confiança (da mãe) e o sentido dos limites e a percepção de valores éticos (do pai). A escola, alem que repassar informações, se propõe o objetivo de criar as condições para a formação de pessoas autônomas com competência para plasmar o próprio destino e aprender a conviver como cidadãos participativos. A educação, nesta perspectiva, era centrada no ser humano e na sociedade.

Esse propósito correto é hoje insuficiente. Depois que irrompeu o paradigma ecológico, nos conscientizamos do fato de que todos somos ecodependentes. Não podemos viver sem o meio-ambiente, com seus ecossistemas, que incluído o ser humano, forma o ambiente inteiro. Somos um elo da comunidade biótica. A humanidade não está frente à natureza, nem acima dela como donos mas dentro dela como parte integrante e essencial. Participamos de uma comunidade de interesses com os demais seres vivos que conosco compartem a biosfera. O interesse comum básico é manter as condições para a continuidade da vida e da própria Terra, tida como superorganismo vivo, Gaia.

O fato novo, até ha pouco ausente na consciência coletiva da grande maioria e também de cientistas, é que todo o sistema de vida está correndo risco. É conseqüência de uma civilização produtivista/consumista/materialista que tem predominado nos últimos séculos, hoje globalizada. Ela fez com que a Terra perdesse seu frágil equilíbrio e sua capacidade de autoregeneração. Temos que impedir que Gaia entre num processo de caos, buscando através dele um novo equilíbrio, mas à custa de pesados sacrifícios ecológicos como a dizimação de milhares de espécies, cataclismos, secas, inundações, insegurança alimentar em vastas proporções e, eventualmente, o desaparecimento de incalculável número de seres humanos.

A partir de agora a educação deve impreterivelmente incluir as quatro grandes tendências da ecologia: a ambiental, a social, a mental e a integral ou profunda(aquela que discute nosso lugar na natureza e nossa inserção na complexa teia das energias cósmicas). Mais e mais se impõem entre os educadores ambientais esta perpectiva: educar para a arte de viver em harmonia com a natureza e propor-se repartir equitativamente aos demais seres, os recursos da cultura e do desenvolvimento sustentável.

Precisamos estar conscientes de que não se trata apenas de introduzir corretivos ao sistema que criou a atual crise ecológica mas de educar para sua transformação. Isto implica superar a visão reducionista e mecanicista ainda imperante e assumir a cultura da complexidade. Ela nos permite ver as interrelações do mundo vivo e as ecodependências do ser humano. Tal verificação exige tratar as questões ambientais de forma global e integrada.

Deste tipo de educação se deriva a dimensão ética de responsabilidade e de cuidado pelo futuro comum da Terra e da humanidade. Faz descobrir o ser humano como o cuidador do jardim do Éden que é nossa Casa Comum e o guardião de todos seres. A democracia além de ser sem fim como o quer com razãoBoaventura de Souza Santos será também uma democracia sócio-ecológica. Junto com a cidadania (que vem de cidade) estará a florestania( que vem de floresta), ensaiada pelo governo petista do Acre. Ser humano e natureza se pertencem mutuamente e juntos devem construir um caminho de convivência não destrutiva.

fevereiro 12, 2008

SINCRONICIDADE


No dia 07 deste mês, nós os educadores de SBC
retornamos ao trabalho e fomos recebidos com o
teatro de bonecos "A turma do Bairro"da Ong SORRI,e,
coincidentemente (?!)o assunto abordado era
inclusão escolar
,tema já introduzido anteriormente no blog.
Através da apresentação dos bonecos pudemos, de maneira lúdica pensar
na questão da inclusão, sob o ponto de vista do próprio deficiente,
representado pelos bonecos.

Então mais uma vez o assunto veio à tona...

Sincronicidade?????????

pesquisando o significado desta palavra, encontrei:

Wikipédia- Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal mas por relação de significado. A sincronicidade é também chamada por Jung de "coincidência significativa".

O termo Sincronicidade foi utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém C.G.Jung demorou ainda mais 21 anos para acabar o livro "SINCRONICIDADE : UM PRINCÍPIO DE CONEXÕES ACAUSAIS", onde expõe o conceito e propõe o início da discussão do assunto. Um de seus últimos livros e segundo ele o de elaboração mais demorada devido a complexidade do tema e da impossibilidade de reprodução dos eventos em ambiente controlado.

Basicamente, é a experiência de se ter dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa "coincidência significativa", onde esse significado sugere um padrão subjacente.

A sincronicidade difere da coincidência, pois não implica somente na aleatoriedade das circunstâncias, mas sim num padrão subjacente ou dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significativos. Foi um princípio que Jung sentiu abrangido seus conceitos de Arquétipo e Inconsciente coletivo.

Acredita-se que a sincronicidade é reveladora e necessita de uma compreensão, essa compreensão poderia surgir espontaneamente, sem nenhum raciocínio lógico. A esse tipo de compreensão instantânea Jung dava o nome de "insight".

Jung afirmava que temos quatro funções básicas: razão, emoção, sensação e intuição. No nosso ser, geralmente uma delas é predominante. Mas quando trabalhamos internamente estas funções na direção do equilíbrio, uma nova função é acrescentada: a sincronicidade.



Sincronicidade, coincidência ou puro acaso (não acredito no acaso!!!)
o fato é que, ele novamente apareceu no meu caminho.

fevereiro 06, 2008

Carta aos pais - Rubem Alves

As férias acabaram...o carnaval também...agora é hora de pensar na volta ao trabalho!
Já que no artigo Situação mundial da infância-2008, postado aqui em 05/02/08, é falado um pouco sobre as necessidades enfrentadas por algumas famílias, chegando, muitas vezes, a provocar nas crianças, devido às carências sofridas, algumas defasagens físicas, cognitivas, emocionais e sociais, o que poderia torná-las casos de inclusão,sem mencionar aqui as diversas outras causas,achei oportuno colocar este texto (o grifo é meu)de Rubem Alves. Ele é perfeito para aqueles pais, ou até mesmo educadores, que ainda pensam que a inclusão não deve ser feita da maneira como tem sido, ou seja, em classes regulares (ou "normais").
Então vamos a ele:


Ah! troquei a música. Agora a "Ciranda da Bailarina" da Adriana Calcanhoto ilustra melhor.

Afinal quem é "normal"??????????? só mesmo a bailarina, conforme a música...ou como diz o autor,perfeitas mesmo só "maravilhosas peças de madeira de uma feira de artesanato"




Carta aos pais - Rubem Alves - (Correio Popular, 09/02/03)


Também sou pai e portanto compreendo. Vocês querem o melhor para o filho, para a filha. A melhor escola, os melhores professores, os melhores colegas. Vocês querem que filhos e filhas fiquem bem preparados para a vida. A vida é dura e só sobrevivem os mais aptos. É preciso ter uma boa educação.

Compreendo, portanto, que vocês tenham torcido o nariz ao saber que a escola ia adotar uma política estranha: colocar crianças deficientes nas mesmas classes das crianças normais. Os seus narizes torcidos disseram o seguinte: Não gostamos. Não deveria ser assim! O problema começa com o fato de as crianças deficientes serem fisicamente diferentes das outras, chegando mesmo, por vezes, a ter uma aparência esquisita. E isso cria, de saída, um mal-estar... digamos... estético. Vê-las não é uma experiência agradável. É preciso se acostumar... Para complicar há o fato de as crianças deficientes serem mais lerdas: elas aprendem devagar. As professoras vão ser forçadas a diminuir o ritmo do programa para que elas não fiquem para trás. E isso, evidentemente, trará prejuízos para nossos filhos e filhas, normais, bonitos, inteligentes. É preciso ser realista; a escola é uma maratona para se passar no vestibular. É para isso que elas existem. Quem fica para trás não entra... O certo mesmo seria ter escolas especializadas, separadas, onde os deficientes aprenderiam o que podem aprender, sem atrapalhar os outros.

Se é assim que vocês pensam eu lhes digo: Tratem de mudar sua maneira de pensar rapidamente porque, caso contrário, vocês irão colher frutos muito amargos no futuro. Porque, quer vocês queiram quer não, o tempo se encarregará de fazê-los deficientes.

É possível que na sua casa, num lugar de destaque, em meio às peças de decoração, esteja um exemplar das Escrituras Sagradas. Via de regra a Bíblia está lá por superstição. As pessoas acreditam que Deus vai proteger. Se assim fosse, melhor que seguro de vida seria levar uma Bíblia sempre no bolso. Não sei se vocês a lêem. Deveriam. E sugiro um poema sombrio, triste e verdadeiro do livro de Eclesiastes. O autor, já velho, aconselha os moços a pensar na velhice. Lembra-te do Criador na tua mocidade, antes que cheguem os dias das dores e se aproximem os anos dos quais dirás: "Não tenho mais alegrias..." Antes que se escureça a luz do sol, da lua e das estrelas e voltem as nuvens depois da chuva... Antes que os guardas da casa comecem a tremer e os homens fortes a ficar curvados... Antes que as mós sejam poucas e pararem de moer... Antes que a escuridão envolva os que olham pelas janelas... Antes que as pessoas se levantem com o canto dos pássaros... Antes que cessem todas as canções... Então se terá medo das alturas e se terá medo de andar nos caminhos planos... Quando a amendoeira florescer com suas flores brancas, quando um simples gafanhoto ficar pesado e as alcaparras não tiverem mais gosto... Antes que se rompa o fio de prata e se despedace a taça de ouro e se quebre o cântaro junto à fonte e se parta a roldana do poço e o pó volte à terra... Brumas, brumas, tudo são brumas... (Eclesiastes 12: 1-8)

Os semitas eram poetas. Escreviam por meio de metáforas. Metáfora é uma palavra que sugere uma outra. Tudo o que está escrito nesse poema se refere a você, a mim, a todos. Antes que se escureça a luz do sol... Sim, chegará o momento em que os seus olhos não verão como viam na mocidade. Os seus braços ficarão fracos e tremerão no seu corpo curvo. As mós - seus dentes - não mais moerão por serem poucos. E a cama pela manhã, tão gostosa no tempo da mocidade, ficará incômoda. Você se levantará tão cedo quanto os pássaros e terá medo de andar por não ver direito o caminho. É preciso ser prudente porque os velhos caem com facilidade por causa de suas pernas bambas e podem quebrar a cabeça do fêmur. Pode até ser que você venha a precisar de uma bengala. Por acaso os moinhos pararão de moer? Não, os moinhos não param de moer. Mas você parará de ouvir. Você está surdo. Seu mundo ficará cada vez mais silencioso. E conversar ficará penoso. Você verá que todos estão rindo. Alguém disse uma coisa engraçada. Mas você não ouviu. Você rirá, não por ter achado graça, mas para que os outros não percebam que você está surdo. Você imaginou uma velhice gostosa. E até comprou um sítio com piscina e árvores. Ah! Que coisa boa, os netos todos reunidos no "Sítio do Vovô", nos fins de semana! Esqueça. Os interesses dos netos são outros. Eles não gostam de conviver com deficientes. Eles não aprenderam a conviver com deficientes. Poderiam ter aprendido na escola mas não aprenderam porque houve pais que protestaram contra a presença dos deficientes.

A primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. Isso é extremamente difícil. Fernando Pessoa diz: Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim. Frequentemente as escolas esmagam os desejos das crianças com os desejos dos outros que lhes são impostos. O programa da escola, aquela série de saberes que as professoras tentam ensinar, representa os desejos de um outro, que não a criança. Talvez um burocrata que pouco entende dos desejos das crianças. É preciso que as escolas ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!

A segunda tarefa da educação é ensinar a conviver. A vida é convivência com uma fantástica variedade de seres, seres humanos, velhos, adultos, crianças, das mais variadas raças, das mais variadas culturas, das mais variadas línguas, animais, plantas, estrelas... Conviver é viver bem em meio a essa diversidade. E parte dessa diversidade são as pessoas portadores de alguma deficiência ou diferença. Elas fazem parte do nosso mundo. Elas têm o direito de estar aqui. Elas têm direito à felicidade. Sugiro que vocês leiam um livrinho que escrevi para crianças, faz muito tempo: Como nasceu a alegria. É sobre uma flor num jardim de flores maravilhosas que, ao desabrochar, teve uma de suas pétalas cortada por um espinho. Se o seu filho ou sua filha não aprender a conviver com a diferença, com os portadores de deficiência, e a ser seus companheiros e amigos, garanto-lhes: eles serão pessoas empobrecidas e vazias de sentimentos nobres. Assim, de que vale passar no vestibular?

Li, numa cartilha de curso primário, a seguinte estória: Viviam juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...

Pois é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa com crianças e adolescentes portadores de deficiências eles não saberão conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão maravilhosas peças de madeira...

janeiro 29, 2008

Não Consigo

Já consegui enterrar muitos "não consigo" ao longo da vida, mas estou fazendo uma lista de alguns remanescentes que , com certeza serão enterrados o mais breve possível!!!

E você já enterrou os seus????????????





Esta história foi contada por Chick Moorman, e aconteceu numa escola primária do estado de Michigan, Estados Unidos.

Ele era supervisor e incentivador dos treinamentos que ali eram realizados, e um dia viveu uma experiência muito instrutiva, conforme ele mesmo narrou...

"Tomei um lugar vazio no fundo da sala e fiquei assistindo.
Todos os alunos estavam trabalhando numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com idéias e pensamentos. Uma aluna de dez anos, mais próxima de mim, estava enchendo a folha de "não consigos".

"Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base."
"Não consigo fazer divisões longas com mais de três números." "Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim."

Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam fazer.

"Não consigo fazer dez flexões." "Não consigo comer um biscoito só..."

A esta altura, a atividade despertara minha curiosidade, e decidi verificar com a professora o que estava acontecendo, e percebi que ela também estava ocupada escrevendo uma lista de "não consigos".

Frustrado em meus esforços em determinar porque os alunos estavam trabalhando com negativas, em vez de escrever frases positivas, voltei para o meu lugar e continuei minhas observações.

Os estudantes escreveram por mais dez minutos.

A maioria encheu sua página.

Alguns começaram outra.

Depois de algum tempo os alunos foram instruídos a dobrar as folhas ao meio e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a mesa da professora.

Quando todos os alunos haviam colocado as folhas na caixa, Donna, a professora, acrescentou as suas, tampou a caixa, colocou-a embaixo do braço e saiu pela porta do corredor.

Os alunos a seguiram.

E eu segui os alunos.

Logo à frente, a professora entrou na sala do zelador e saiu com uma pá.

Depois seguiu para o pátio da escola, conduzindo os alunos até o canto mais distante do playground.

Ali começaram a cavar.

Iam enterrar seus "não consigo"!

Quando a escavação terminou, a caixa de "não consigos" foi depositada no fundo e rapidamente coberta com terra.

Trinta e uma crianças de dez e onze anos permaneceram de pé, em torno da sepultura recém cavada.

Donna, então, proferiu louvores.

"Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do "não consigo".
Enquanto esteve conosco aqui na Terra, ele tocou as vidas de todos nós, de alguns mais do que de outros.
Seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada instituição pública - escolas, prefeituras, assembléias legislativas e até mesmo na Casa Branca.
Providenciamos um local para o seu descanso final e uma lápide que contém seu epitáfio.
Ele vive na memória de seus irmãos e irmãs "eu consigo", "eu vou"' e "eu vou imediatamente".
Que "não consigo" possa descansar em paz e que todos os presentes possam retomar suas vidas e ir em frente na sua ausência. Amém."

Ao escutar as orações entendi que aqueles alunos jamais esqueceriam a lição.

A atividade era simbólica: uma metáfora da vida.

O "não consigo" estava enterrado para sempre.

Logo após, a sábia professora encaminhou os alunos de volta à classe e promoveu uma festa.

Como parte da celebração, Donna recortou uma grande lápide de papelão e escreveu as palavras "não consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data embaixo.

A lápide de papel ficou pendurada na sala de aula de Donna durante o resto do ano.

Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", Donna simplesmente apontava o cartaz "descanse em paz".

O aluno, então, se lembrava que "não consigo" estava morto e reformulava a frase.

Eu não era aluno de Donna.

Ela era minha aluna.

Ainda assim, naquele dia aprendi uma lição duradoura com ela.

Agora, anos depois, sempre que ouço a frase "não consigo", vejo imagens daquele funeral da quarta série.

Como os alunos, eu também me lembro de que "não consigo" está morto."
Autor Desconhecido

o assunto continua....

Recebi esta mensagem da amiga Odete (obrigada querida!!!) representante do "Instituto Vivendo Valores"(para visitá-lo clique no título).
Ela ajuda a dar continuidade ao assunto, no que se refere ao exemplo que devemos dar às pessoas que convivem conosco, principalmente com relação às crianças que convivem diretamente na sala de aula, uma vez que somos um dos primeiros modelos a serem copiados por elas.

* "Vivendo Valores" foi um dos cursos de formação na escola em 2007. Ele atendia ao tema do projeto "Resolução de Conflitos de forma positiva com as crianças" e foi ministrado pela Odete. Curso que, por sinal, nos deu a possibilidade de refletir amplamente e profundamente sobre nós e sobre nossos papéis perante os diferentes grupos sociais em que fazemos parte, principalmente o da escola.Onde pudemos vivenciar muitos valores e sentimentos nos fazendo crescer enquanto pessoas e enquanto profissionais, ajudando-nos a trabalhar também a questão da violência com as crianças.


janeiro 17, 2008

EDUCAÇÃO - Mãe das Batalhas

Se ganharmos todas as batalhas, menos a da educação, perderemos a guerra. Se tivermos os melhores fundamentos macroeconômicos, mas os jovens não entenderem o que lêem, não haverá futuro. A educação é a mãe de todas as lutas. Uma economia em recessão pode se recuperar mais adiante, pelo próprio movimento dos ciclos; perder os cérebros de uma geração inteira é fatal.

Está difícil escrever hoje. Há dias assim: piores, dolorosos. O Senado se abastarda nos conchavos, as prisões oferecem ao país cenas medievais, a violência colhe suas vítimas indefesas nas ruas; por insensatez e descuido destruímos a Amazônia. Tudo aflige. Mesmo assim, é possível achar que isso é conjuntural. Sonhar que um dia colheremos senadores que nos orgulhem, construiremos prisões onde criminosos paguem sua dívida com a sociedade de forma civilizada, que a indignação seja tamanha que nunca mais uma menina seja trancada numa cela com homens. Mas como se proteger do pessimismo diante do teste internacional Pisa? Isso derrota.

Perdemos para o Chile e para o México. Perdemos para quase todos, em quase tudo. Retrocedemos na mais fundamental das habilidades: a leitura. Há 500 anos, o sistema educacional se estruturou em torno do livro, mas o Brasil, no começo do século XXI, não consegue capturar os estudantes para o prazer da leitura. Prazer que meus pais e professores me ensinaram na infância e ao qual tributo cada um dos meus êxitos. Quem não lê não pensa bem. Quem não é ensinado a pensar jamais vai realizar seu potencial. Seguirá apequenado, subutilizado, subdesenvolvido. Um país de apequenados jamais será grande.

Quando alguns alunos falham, a culpa pode ser dos alunos; quando tantos falham, foi a escola que fracassou. Há tantos motivos para a nossa tragédia educacional que é difícil saber por onde começar.

O Brasil gasta mais por aluno no ensino superior que inúmeros países do mundo. O governo Lula aumentos de 70% para 75% a fatia do bolo federal da educação que vai para as universidades, quando a nossa tragédia começa no fundamental. Alguns professores gastam mais tempo se mobilizando por melhores salários e reivindicações da categoria que na dedicação aos alunos. Os livros didáticos forma contaminados por ideologia de terceira categoria. Mestres se aposentam cedo demais, e o Brasil perde a maturidade de suas vocações, o auge do seu conhecimento. Muitas famílias não se envolvem com a educação dos seus filhos, achando que isso é obrigação das escolas. A classe média paga colégio particular, debita uma parte do gasto no Imposto de Renda, não cobra qualidade da escola que paga, depois põe os filhos num bom cursinho para não gastar com a universidade. Os muito ricos escapam da tragédia coletiva alienando os filhos em escolas estrangeiras. Governos acham, como o atual, que
devem mudar as políticas anteriores apenas por idiossincrasias político-partidárias. Empresas pensam que, se forem exigentes nos seus processos de seleção, serão competitivas, mas começam a descobrir que não têm onde fazer sua seleção. A incapacidade administrativa paralisa bons projetos, como o da informatização das escolas, cujo financiamento foi esterilizado no Fust. Ministros pedem mais dinheiro sem oferecer em troca qualquer melhoria de gestão. Alunos passam de ano sem ter aprendido, só porque reprovar não é politicamente correto. Imposto para qualificar o trabalhador financia sindicato de empresário. Fundo de Amparo ao Trabalhador financia empresas. Nosso único acerto nas últimas décadas foi universalizar o ensino, ainda que tarde.

A tragédia da educação pode ser vista pela economia. Na era do conhecimento, a mais importante habilidade a desenvolver é a capacidade de pensar, o que só se consegue com educação de qualidade. Na era da globalização, as empresas tendem a espalhar pelos países etapas do seu processo produtivo, escolhendo cada local pela vantagem competitiva. Um país sem cérebros treinados ficará com o que há de mais tosco, com as etapas de menor valor agregado e salário. Os países competem por localização de investimento e mercados. Um país com uma mão-de-obra sem qualificação inevitavelmente perderá a competição.

Mas o mais relevante não é a economia. Um ser humano não é apenas a sua força de trabalho. A educação não é só o treinamento de trabalhadores, por mais importante que isso seja. A educação é a única forma permanente de redução das desigualdades. O trabalhador que está hoje em alguma fazenda sendo escravizado ou submetido a trabalho degradante foi aprisionado na cadeia do analfabetismo. O ribeirinho que está com uma arma na cabeça na Amazônia, tendo que abandonar sua terra para que o grileiro ocupe tudo para desmatar, não sabe nem ler o documento que lhe apresentam para assinar. É a ignorância que desampara.

A educação é, sobretudo, a forma de realização plena das tantas e tão versáteis capacidades humanas. Mais que treinar o trabalhador, forma o cidadão, amplia horizontes, alimenta ambições. Por isso é a mãe de todas as batalhas. Nós a estamos perdendo no momento mais decisivo da construção do país, quando a maioria da população é jovem. Temos em idade escolar (no ensino fundamental e médio) 37 milhões de brasileiros. E eles estão em perigo.


Artigo de Míriam Leitão no Jornal O Globo de 6 de dezembro de 2007.

dezembro 06, 2007

O aluno falha?????? ou falha a educação ????



Nesta semana foi divulgado o resultado sobre o PISA(Programa Internacional de Avaliação de Alunos)que é uma avaliação internacional sobre educação em diferentes áreas do conhecimento. As avaliações do PISA incluem cadernos de prova e questionários e acontecem a cada três anos, com ênfases distintas em três áreas: Leitura, Matemática e Ciências.

O Brasil obteve um dos piores desempenhos. A julgar pelos resultados do Pisa, divulgados no dia 5 de dezembro, em Brasília, os estudantes brasileiros pouco entendem do que lêem. O Brasil ficou em último lugar, numa pesquisa que envolveu 32 países e avaliou, sobretudo, a compreensão de textos em alunos de 15 anos.

O Brasil obteve 396 pontos, 150 a menos que a Finlândia, país mais bem colocado. A Finlândia atingiu o nível 4, enquanto a média brasileira não passou do nível 1, atrás de outros países emergentes, como Rússia e México, que alcançaram o nível 2. No Brasil, as provas foram aplicadas em 4,8 mil alunos, da 7a série ao 2º ano do Ensino Médio.

Como brasileira é triste ler notícias como estas, que saíram esta semana, e como professora então...é desconcertante, é lamentável, é chocante, é...!!!

Na coluna da Míriam Leitão de hoje, no Jornal o Globo, o tema foi muito bem abordado e concordo com ela em gênero, número e grau.

Artigo da Míriam Leitão no Jornal O Globo de 6 de dezembro de 2007.

Tema: EDUCAÇÃO

Mãe das Batalhas

Se ganharmos todas as batalhas, menos a da educação, perderemos a guerra. Se tivermos os melhores fundamentos macroeconômicos, mas os jovens não entenderem o que lêem, não haverá futuro. A educação é a mãe de todas as lutas. Uma economia em recessão pode se recuperar mais adiante, pelo próprio movimento dos ciclos; perder os cérebros de uma geração inteira é fatal.

Está difícil escrever hoje. Há dias assim: piores, dolorosos. O Senado se abastarda nos conchavos, os prisões oferecem ao país cenas medievais, a violência colhe suas vítimas indefesas nas ruas; por insensatez e descuido destruímos a Amazônia. Tudo aflige. Mesmo assim, é possível achar que isso é conjuntural. Sonhar que um dia colheremos senadores que nos orgulhem, construiremos prisões onde criminosos paguem sua dívida com a sociedade de forma civilizada, que a indignação seja tamanha que nunca mais uma menina seja trancada numa cela com homens. Mas como se proteger do pessimismo diante do teste internacional Pisa? Isso derrota.

Perdemos para o Chile e para o México. Perdemos para quase todos, em quase tudo. Retrocedemos na mais fundamental das habilidades: a leitura. Há 500 anos, o sistema educacional se estruturou em torno do livro, mas o Brasil, no começo do século XXI, não consegue capturar os estudantes para o prazer da leitura. Prazer que meus pais e professores me ensinaram na infância e ao qual tributo cada um dos meus êxitos. Quem não lê não pensa bem. Quem não é ensinado a pensar jamais vai realizar seu potencial. Seguirá apequenado, subutilizado, subdesenvolvido. Um país de apequenados jamais será grande.

Quando alguns alunos falham, a culpa pode ser dos alunos; quando tantos falham, foi a escola que fracassou. Há tantos motivos para a nossa tragédia educacional que é difícil saber por onde começar.

O Brasil gasta mais por aluno no ensino superior que inúmeros países do mundo. O governo Lula aumentos de 70% para 75% a fatia do bolo federal da educação que vai para as universidades, quando a nossa tragédia começa no fundamental. Alguns professores gastam mais tempo se mobilizando por melhores salários e reivindicações da categoria que na dedicação aos alunos. Os livros didáticos forma contaminados por ideologia de terceira categoria. Mestres se aposentam cedo demais, e o Brasil perde a maturidade de suas vocações, o auge do seu conhecimento. Muitas famílias não se envolvem com a educação dos seus filhos, achando que isso é obrigação das escolas. A classe média paga colégio particular, debita uma parte do gasto no Imposto de Renda, não cobra qualidade da escola que paga, depois põe os filhos num bom cursinho para não gastar com a universidade. Os muito ricos escapam da tragédia coletiva alienando os filhos em escolas estrangeiras. Governos acham, como o atual, que
devem mudar as políticas anteriores apenas por idiossincrasias político-partidárias. Empresas pensam que, se forem exigentes nos seus processos de seleção, serão competitivas, mas começam a descobrir que não têm onde fazer sua seleção. A incapacidade administrativa paralisa bons projetos, como o da informatização das escolas, cujo financiamento foi esterilizado no Fust. Ministros pedem mais dinheiro sem oferecer em troca qualquer melhoria de gestão. Alunos passam de ano sem ter aprendido, só porque reprovar não é politicamente correto. Imposto para qualificar o trabalhador financia sindicato de empresário. Fundo de Amparo ao Trabalhador financia empresas. Nosso único acerto nas últimas décadas foi universalizar o ensino, ainda que tarde.

A tragédia da educação pode ser vista pela economia. Na era do conhecimento, a mais importante habilidade a desenvolver é a capacidade de pensar, o que só se consegue com educação de qualidade. Na era da globalização, as empresas tendem a espalhar pelos países etapas do seu processo produtivo, escolhendo cada local pela vantagem competitiva. Um país sem cérebros treinados ficará com o que há de mais tosco, com as etapas de menor valor agregado e salário. Os países competem por localização de investimento e mercados. Um país com uma mão-de-obra sem qualificação inevitavelmente perderá a competição.

Mas o mais relevante não é a economia. Um ser humano não é apenas a sua força de trabalho. A educação não é só o treinamento de trabalhadores, por mais importante que isso seja. A educação é a única forma permanente de redução das desigualdades. O trabalhador que está hoje em alguma fazenda sendo escravizado ou submetido a trabalho degradante foi aprisionado na cadeia do analfabetismo. O ribeirinho que está com uma arma na cabeça na Amazônia, tendo que abandonar sua terra para que o grileiro ocupe tudo para desmatar, não sabe nem ler o documento que lhe apresentam para assinar. É a ignorância que desampara.

A educação é, sobretudo, a forma de realização plena das tantas e tão versáteis capacidades humanas. Mais que treinar o trabalhador, forma o cidadão, amplia horizontes, alimenta ambições. Por isso é a mãe de todas as batalhas. Nós a estamos perdendo no momento mais decisivo da construção do país, quando a maioria da população é jovem. Temos em idade escolar (no ensino fundamental e médio) 37 milhões de brasileiros. E eles estão em perigo.