Um rio nunca é o mesmo..


EU... caçador(a) de mim


O fator tempo muda de forma irreversível um objeto ou entidade...

e o que pensamos ser a mesma coisa, só porque tem o mesmo nome, na realidade é algo em fluxo contínuo de mudança.

Compartilho o meu olhar...o meu olhar mutante.

janeiro 30, 2008

ENQUANTO ISSO...NO PAÍS DO CARNAVAL...


CARNAVAL/1950- TARSILA DO AMARAL


A feira dos mortais e dos imortais
Leonardo Boff


Com freqüência comparece nas colunas sociais dos periódicos a feira das vaidades. Há disputa para entrar no cercadinho onde estão as celebridades, geralmente, modelos da moda ou artistas conhecidos. Travam-se verdadeiras batalhas para conquistar um lugar na primeira fila e ganhar visibilidade. Na época do carnaval, então, isso chega ao seu paroxismo. Nos palácios de governo, os políticos se acotovelam para estar fisicamente mais perto do chefe. As fotos nas colunas sociais mostram pessoas glamourosas, aparentemente felizes, comendo, bebendo e festejando.

Mas basta vasculhar outras páginas do mesmo jornal para se ver o outro lado da realidade: violência generalizada, enfrentamento entre policiais e gangues da droga, assaltos, assassinatos, escândalos politicos que nunca páram, crescente favelização das cidades e, por fim, as ameaças de devastação que pesam sobre o inteiro Planeta. Como combinar esses dois cenários?

Espontaneamente me vêm à mente o relato do dilúvio. Indiferentes à maldade que grassava no mundo, as pessoas, dizem os textos, “comiam e bebiam, sem se dar conta de nada, até que veio o dilúvio que arrebatou a todos”.

Não precisamos do dilúvio. Baste-nos a certeza de que todos, também os glamourosos, são mortais. Com o tempo, a beleza se esfuma, os achaques aparecem, o envelhecimento é irrefreável e por fim todos morrem. Carregamos apenas o bem que tivermos feitos e nada do glamour e da fama. É a condição humana que importa nunca esquecer para não parecermos frívolos ou ridículos.

Outra cena. Em função do trabalho de assessoria a grupos populares, encontro outra paisagem social: pessoas das periferias, habitantes de comunidades carentes que chamam de “favelas”, grande parte trabalhadora e honesta, enfrentando, dia a dia, a dura luta pela sobrevivência. Os rostos vincados, as mãos calosas, o olhar determinado mostram os sinais da luta renhida pela vida. Os glamourosos os vêem com certo desdém, com receio, no máximo, com pena. Mal lembram que são seus semelhantes e imortais.

Olhando-os atentamente, me vem à mente uma cena do Apocalipse. Um dos anciãos pergunta: “Estes, milhares, quem são e de onde vieram? E o Senhor respondeu: estes são os que vêm da grande tribulação…O Cordeiro os apascentará e guiará às fontes de água viva e Deus lhes enxugará toda lágrima dos olhos”. Estes, da grande tribulação, mesmo sendo mortais, os vejo em sua dimensão de imortais. Pois, em cada pessoa, mas particularmente nestes, Deus está nascendo dentro deles, fazendo-os seus filhos e filhas e urdindo-lhes um destino de imortalidade.

Se os olhássemos nesta ótica, outra seria a nossa atitude. Daríamos uma pequena chance à verdade de triunfar sobre os preconceitos. Descobriríamos que somos todos imortais, também os mortais glamourosos, pois assim fomos feitos e este é o desígnio do Criador. Jesus não quis outra coisa senão que nos tratássemos como irmãos e irmãs e que revelássemos uns aos outros a Deus como Pai e Mãe.

Cada manhã ao levantarmos, temos que decidir: queremos nos comportar como mortais ou imortais? Viver da aparência enganadora ou da realidade pura e simples?

Quão monótona e semelhante é a vida das celebridades mortais! Quão diversificada e épica é a vida dos simples imortais!

janeiro 29, 2008

Não Consigo

Já consegui enterrar muitos "não consigo" ao longo da vida, mas estou fazendo uma lista de alguns remanescentes que , com certeza serão enterrados o mais breve possível!!!

E você já enterrou os seus????????????





Esta história foi contada por Chick Moorman, e aconteceu numa escola primária do estado de Michigan, Estados Unidos.

Ele era supervisor e incentivador dos treinamentos que ali eram realizados, e um dia viveu uma experiência muito instrutiva, conforme ele mesmo narrou...

"Tomei um lugar vazio no fundo da sala e fiquei assistindo.
Todos os alunos estavam trabalhando numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com idéias e pensamentos. Uma aluna de dez anos, mais próxima de mim, estava enchendo a folha de "não consigos".

"Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base."
"Não consigo fazer divisões longas com mais de três números." "Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim."

Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam fazer.

"Não consigo fazer dez flexões." "Não consigo comer um biscoito só..."

A esta altura, a atividade despertara minha curiosidade, e decidi verificar com a professora o que estava acontecendo, e percebi que ela também estava ocupada escrevendo uma lista de "não consigos".

Frustrado em meus esforços em determinar porque os alunos estavam trabalhando com negativas, em vez de escrever frases positivas, voltei para o meu lugar e continuei minhas observações.

Os estudantes escreveram por mais dez minutos.

A maioria encheu sua página.

Alguns começaram outra.

Depois de algum tempo os alunos foram instruídos a dobrar as folhas ao meio e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a mesa da professora.

Quando todos os alunos haviam colocado as folhas na caixa, Donna, a professora, acrescentou as suas, tampou a caixa, colocou-a embaixo do braço e saiu pela porta do corredor.

Os alunos a seguiram.

E eu segui os alunos.

Logo à frente, a professora entrou na sala do zelador e saiu com uma pá.

Depois seguiu para o pátio da escola, conduzindo os alunos até o canto mais distante do playground.

Ali começaram a cavar.

Iam enterrar seus "não consigo"!

Quando a escavação terminou, a caixa de "não consigos" foi depositada no fundo e rapidamente coberta com terra.

Trinta e uma crianças de dez e onze anos permaneceram de pé, em torno da sepultura recém cavada.

Donna, então, proferiu louvores.

"Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do "não consigo".
Enquanto esteve conosco aqui na Terra, ele tocou as vidas de todos nós, de alguns mais do que de outros.
Seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada instituição pública - escolas, prefeituras, assembléias legislativas e até mesmo na Casa Branca.
Providenciamos um local para o seu descanso final e uma lápide que contém seu epitáfio.
Ele vive na memória de seus irmãos e irmãs "eu consigo", "eu vou"' e "eu vou imediatamente".
Que "não consigo" possa descansar em paz e que todos os presentes possam retomar suas vidas e ir em frente na sua ausência. Amém."

Ao escutar as orações entendi que aqueles alunos jamais esqueceriam a lição.

A atividade era simbólica: uma metáfora da vida.

O "não consigo" estava enterrado para sempre.

Logo após, a sábia professora encaminhou os alunos de volta à classe e promoveu uma festa.

Como parte da celebração, Donna recortou uma grande lápide de papelão e escreveu as palavras "não consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data embaixo.

A lápide de papel ficou pendurada na sala de aula de Donna durante o resto do ano.

Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", Donna simplesmente apontava o cartaz "descanse em paz".

O aluno, então, se lembrava que "não consigo" estava morto e reformulava a frase.

Eu não era aluno de Donna.

Ela era minha aluna.

Ainda assim, naquele dia aprendi uma lição duradoura com ela.

Agora, anos depois, sempre que ouço a frase "não consigo", vejo imagens daquele funeral da quarta série.

Como os alunos, eu também me lembro de que "não consigo" está morto."
Autor Desconhecido

o assunto continua....

Recebi esta mensagem da amiga Odete (obrigada querida!!!) representante do "Instituto Vivendo Valores"(para visitá-lo clique no título).
Ela ajuda a dar continuidade ao assunto, no que se refere ao exemplo que devemos dar às pessoas que convivem conosco, principalmente com relação às crianças que convivem diretamente na sala de aula, uma vez que somos um dos primeiros modelos a serem copiados por elas.

* "Vivendo Valores" foi um dos cursos de formação na escola em 2007. Ele atendia ao tema do projeto "Resolução de Conflitos de forma positiva com as crianças" e foi ministrado pela Odete. Curso que, por sinal, nos deu a possibilidade de refletir amplamente e profundamente sobre nós e sobre nossos papéis perante os diferentes grupos sociais em que fazemos parte, principalmente o da escola.Onde pudemos vivenciar muitos valores e sentimentos nos fazendo crescer enquanto pessoas e enquanto profissionais, ajudando-nos a trabalhar também a questão da violência com as crianças.


janeiro 26, 2008

30 de Janeiro - DIA DA NÃO-VIOLÊNCIA

Esta semana fui ao enterro de um parente querido de uma amiga...vitimado pela violência tão frequente em nossos dias.Nem é preciso dizer o quanto todos os envolvidos estão sofrendo com tal perda repentina.

E ironia ou não do destino, recebo este texto abaixo, via mail, justamente agora em que estou revoltada com o acontecimento, questionando, refletindo meus valores, meus sentimentos frente a fatos como este.

A vida de líderes como este nos inspira, nos impulsiona para o bem,para a solidariedade, para a paz, mas como nos manter com os sentimentos nobres diante da violência???? Como perdoar acontecimentos tão brutais, ainda mais quando ele é sentido na própria pele?

Como educadora, como mãe, e como cidadã, sei do meu papel perante os que convivem comigo para construir e vivenciar uma cultura de paz, uma cultura de não violência.

Trabalhamos o ano passado, em nossa escola, num projeto , as questões éticas que permeam a boa convivência, que permitem a resolução de conflitos sem o uso da violência, para que, não só as crianças, mas também nós os adultos, pudéssemos construir novos valores, sentimentos e atitudes.
A necessidade do projeto surgiu porque sentimos que algo deveria ser feito, não adianta ficar cobrando deste ou daquele, ficar no blá blá blá. Fala-se muito, e ação que é bom, nada!
Então, a escola como formadora de cidadãos tem esse poder e dever.
É uma sementinha que plantada deve ser regada constantemente, não só com palavras, mas com atitudes vividas também pela equipe escolar. Afinal, as crianças aprenderão pelos nossos atos e não pelas nossas palavras.


Mas, torno a perguntar...

COMO NOS MANTER ÍNTEGROS DIANTE DA VIOLÊNCIA ???

Bom, lendo um pouco da biografia de Gandhi, e tomando sua vida como exemplo podemos

após a poeira baixar, após a revolta se acalmar...

podemos nos inspirar nele e seguir nossa vida de maneira mais pacífica.







Dia da não-violência lembra a morte de Ghandi


O pacifista indiano Mohandas Gandhi, dito o Mahatma

O dia 30 de Janeiro foi proclamado pela ONU como o dia da não-violência em homenagem a Mohandas K. Gandhi cujo assassinato ocorreu nessa data, em1948. Trata-se de uma iniciativa voltada à educação para a paz, a solidariedade e o respeito pelos direitos humanos.

Gandhi, também chamado Mahatma (que significa "grande alma", "alma iluminada"), nasceu na Índia, em 1869. É considerado um dos principais expoentes do pacifismo e da luta pelo respeito e realização dos direitos humanos e da justiça.

Após estudar direito na Inglaterra, foi trabalhar na África do Sul como advogado. Lá começaram as suas primeiras ações de protesto não-violento contra o racismo, baseadas na resistência pacífica e na não cooperação com as autoridades.

Ao fim de anos de luta, e depois de ter conseguido algumas melhorias para a comunidade indiana na África do Sul, decidiu voltar ao seu país de origem - a Índia - e lutar pela sua independência. O país era uma colônia do Império Britânico. Graças a seus esforços, a Índia conquistou a independência em 1947.

Os procedimentos e as formas de luta que Ghandi propôs e utilizou eram:


Manifestações pacíficas: diálogos, testemunhos, petições, marchas, jejuns, greves de fome, orações e cooperação com os mais oprimidos.


Não-cooperação, por meio de boicote sistemático dos produtos ingleses e da recusa a colaborar com um regime ou com um sistema considerado injusto.


Desobediência civil, por meio da violação intencional, organizada, sistemática de leis consideradas injustas.

Gandhi teve grande influência entre as comunidades religiosas hindus e muçulmanas da Índia. No entanto, a tensão entre os dois grupos era enorme e resultou no surgimento do Paquistão, país de maioria muçulmana. Foi por tentar unificar hindus e muçulmanos que Gandhi acabou assassinado por um hinduísta radical.

Apesar de ter sido indicado cinco vezes entre 1937 e 1948, o pacifista que enfrentou o poder da Inglaterra nunca recebeu o prêmio Nobel da Paz. Décadas depois, no entanto, o erro foi reconhecido pelo comitê organizador do prêmio.

Além disso, quando o Dalai Lama (Tenzin Gyatso) recebeu o Nobel em 1989, o presidente do comitê disse que o prêmio era "em parte um tributo à memória de Mahatma Gandhi".

ovnis em Riolândia/SP ?


"Um fato curioso foi registrado em um canavial em Riolândia, região de Votuporanga. Em área próxima ao rio Grande a cana foi amassada e formou um desenho estranho na plantação. A imagem no canavial é inusitada. Em meio aos nove hectares da plantação, um círculo foi desenhado com a cana que ficou achatada no solo, em uma área de cerca de sessenta metros de diâmetro. Nenhum pé foi arrancado, e ao redor todos continuam firmes, sem pender. Para o ufólogo Jorge Neri, os sinais mostram que algo muito estranho aconteceu no local".

Clique no título para assistir ao vídeo da TV TEM, afiliada local da Globo. O Diário de Votuporanga dá mais detalhes, com a nada sutilmente intitulada nota "Eles estão entre nós".

E entre tais detalhes, descobrimos que a única testemunha de que a cana amassada teria algo a ver com OVNIs é o proprietário da pousada próxima do canavial, Maurício Pereira da Silva, que em outro momento também é citado comentando como "agora, aqui parece ponto turístico, todo mundo quer ver o local onde o óvni pousou". Uma olhada no vídeo acima também sugere como o "círculo" parece quase completamente disforme, e desemboca em uma trilha.

Como se não fosse o bastante, há pouco mais de duas semanas, a quem não se lembra o filme "Sinais" foi exibido pela Globo, provocando certa comoção — medida por um súbito aumento nas buscas por informações sobre círculos nas plantações ou o suposto ET de Passo Fundo.

Ufólogos anunciam que pretendem investigar o caso a fundo, mas já declararam ter certeza de que é algo extraterrestre. Seria o proprietário da pousada o nosso Mel Gibson? Por via das dúvidas, recomendamos que tenha vários copos d'água em casa, e que os turistas só visitem o local se tiverem asma.

janeiro 17, 2008

EDUCAÇÃO - Mãe das Batalhas

Se ganharmos todas as batalhas, menos a da educação, perderemos a guerra. Se tivermos os melhores fundamentos macroeconômicos, mas os jovens não entenderem o que lêem, não haverá futuro. A educação é a mãe de todas as lutas. Uma economia em recessão pode se recuperar mais adiante, pelo próprio movimento dos ciclos; perder os cérebros de uma geração inteira é fatal.

Está difícil escrever hoje. Há dias assim: piores, dolorosos. O Senado se abastarda nos conchavos, as prisões oferecem ao país cenas medievais, a violência colhe suas vítimas indefesas nas ruas; por insensatez e descuido destruímos a Amazônia. Tudo aflige. Mesmo assim, é possível achar que isso é conjuntural. Sonhar que um dia colheremos senadores que nos orgulhem, construiremos prisões onde criminosos paguem sua dívida com a sociedade de forma civilizada, que a indignação seja tamanha que nunca mais uma menina seja trancada numa cela com homens. Mas como se proteger do pessimismo diante do teste internacional Pisa? Isso derrota.

Perdemos para o Chile e para o México. Perdemos para quase todos, em quase tudo. Retrocedemos na mais fundamental das habilidades: a leitura. Há 500 anos, o sistema educacional se estruturou em torno do livro, mas o Brasil, no começo do século XXI, não consegue capturar os estudantes para o prazer da leitura. Prazer que meus pais e professores me ensinaram na infância e ao qual tributo cada um dos meus êxitos. Quem não lê não pensa bem. Quem não é ensinado a pensar jamais vai realizar seu potencial. Seguirá apequenado, subutilizado, subdesenvolvido. Um país de apequenados jamais será grande.

Quando alguns alunos falham, a culpa pode ser dos alunos; quando tantos falham, foi a escola que fracassou. Há tantos motivos para a nossa tragédia educacional que é difícil saber por onde começar.

O Brasil gasta mais por aluno no ensino superior que inúmeros países do mundo. O governo Lula aumentos de 70% para 75% a fatia do bolo federal da educação que vai para as universidades, quando a nossa tragédia começa no fundamental. Alguns professores gastam mais tempo se mobilizando por melhores salários e reivindicações da categoria que na dedicação aos alunos. Os livros didáticos forma contaminados por ideologia de terceira categoria. Mestres se aposentam cedo demais, e o Brasil perde a maturidade de suas vocações, o auge do seu conhecimento. Muitas famílias não se envolvem com a educação dos seus filhos, achando que isso é obrigação das escolas. A classe média paga colégio particular, debita uma parte do gasto no Imposto de Renda, não cobra qualidade da escola que paga, depois põe os filhos num bom cursinho para não gastar com a universidade. Os muito ricos escapam da tragédia coletiva alienando os filhos em escolas estrangeiras. Governos acham, como o atual, que
devem mudar as políticas anteriores apenas por idiossincrasias político-partidárias. Empresas pensam que, se forem exigentes nos seus processos de seleção, serão competitivas, mas começam a descobrir que não têm onde fazer sua seleção. A incapacidade administrativa paralisa bons projetos, como o da informatização das escolas, cujo financiamento foi esterilizado no Fust. Ministros pedem mais dinheiro sem oferecer em troca qualquer melhoria de gestão. Alunos passam de ano sem ter aprendido, só porque reprovar não é politicamente correto. Imposto para qualificar o trabalhador financia sindicato de empresário. Fundo de Amparo ao Trabalhador financia empresas. Nosso único acerto nas últimas décadas foi universalizar o ensino, ainda que tarde.

A tragédia da educação pode ser vista pela economia. Na era do conhecimento, a mais importante habilidade a desenvolver é a capacidade de pensar, o que só se consegue com educação de qualidade. Na era da globalização, as empresas tendem a espalhar pelos países etapas do seu processo produtivo, escolhendo cada local pela vantagem competitiva. Um país sem cérebros treinados ficará com o que há de mais tosco, com as etapas de menor valor agregado e salário. Os países competem por localização de investimento e mercados. Um país com uma mão-de-obra sem qualificação inevitavelmente perderá a competição.

Mas o mais relevante não é a economia. Um ser humano não é apenas a sua força de trabalho. A educação não é só o treinamento de trabalhadores, por mais importante que isso seja. A educação é a única forma permanente de redução das desigualdades. O trabalhador que está hoje em alguma fazenda sendo escravizado ou submetido a trabalho degradante foi aprisionado na cadeia do analfabetismo. O ribeirinho que está com uma arma na cabeça na Amazônia, tendo que abandonar sua terra para que o grileiro ocupe tudo para desmatar, não sabe nem ler o documento que lhe apresentam para assinar. É a ignorância que desampara.

A educação é, sobretudo, a forma de realização plena das tantas e tão versáteis capacidades humanas. Mais que treinar o trabalhador, forma o cidadão, amplia horizontes, alimenta ambições. Por isso é a mãe de todas as batalhas. Nós a estamos perdendo no momento mais decisivo da construção do país, quando a maioria da população é jovem. Temos em idade escolar (no ensino fundamental e médio) 37 milhões de brasileiros. E eles estão em perigo.


Artigo de Míriam Leitão no Jornal O Globo de 6 de dezembro de 2007.