Um rio nunca é o mesmo..


EU... caçador(a) de mim


O fator tempo muda de forma irreversível um objeto ou entidade...

e o que pensamos ser a mesma coisa, só porque tem o mesmo nome, na realidade é algo em fluxo contínuo de mudança.

Compartilho o meu olhar...o meu olhar mutante.

janeiro 16, 2008

A PORTA DO LADO

Dráuzio Varella

Sabe quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes.

Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.

Que "audácia" contrariá-los!

São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.

É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel.

E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça...

Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia.

Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado. "

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia...

Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.

Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.

A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída...

Experimente!!!

'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'

"CIRURGIA DE LIPOASPIRAÇÃO?" Herbert Vianna (Cantor e Compositor)

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?

Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.

Hoje, Deus é a auto imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação.

Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.

Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não.

Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação.

Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.

A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?

A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.

Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.

Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.

Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.

Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.

Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...

Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.

Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.

Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'
O homem e suas máquinas maravilhosas!!!


São Paulo, domingo, 06 de janeiro de 2008

Europa inaugura a maior máquina da Terra em maio.
Experimento em túnel de 27 km investigará alguns dos maiores mistérios da natureza.
Empreitada da ordem de US$ 5 bilhões reúne mais de 8.000 físicos e engenheiros em laboratório de física nuclear perto de Genebra.
Por Rafael Garcia

O experimento aguardado com mais ansiedade pelos físicos desde a virada do milênio deve finalmente começar em 2008, após três anos de atraso em relação à previsão inicial. A maior máquina já produzida pelo homem, -o LHC, um acelerador de partículas gigante- começa a operar em maio, segundo anuncia agora o Cern (Organização Européia de Pesquisa Nuclear), o laboratório que lidera o projeto, na Suíça.

Experimento testa teoria que explica a origem da massa. Partícula prevista por físico em 1964 tem de aparecer para sustentar paradigma que esclarece composição da matéria.

Cientistas também usarão máquina para investigar a antimatéria, tentar produzir buracos negros e simular os instantes após o Big Bang.

A maior parte dos cientistas trabalhando no acelerador de partículas LHC acredita que o experimento vai cumprir seu objetivo primário: reafirmar o Modelo Padrão, teoria que evoca partículas e forças para explicar o mundo microscópico. A principal previsão ainda não testada da teoria é o porquê de a matéria possuir massa. Uma resposta final deve surgir nos dois primeiros anos de funcionamento do acelerador. Para o bem ou para o mal.

Para fazer o teste, físicos tiveram de esperar 40 anos até que surgisse uma tecnologia para criar colisões violentas o suficiente para os experimentos. O LHC -sigla em inglês de Grande Colisor de Hádrons-, finalmente, tem a força necessária. Dentro dela ocorrerão choques de prótons (partículas da classe dos hádrons, encontradas no núcleo de átomos) beirando a velocidade da luz.

Essas violentas colisões são capazes de "quebrar" os prótons, liberando uma quantidade colossal de energia, que se transforma então em novas partículas -algumas delas capazes de escapar com tanta facilidade que é preciso construir detectores monumentais para encontrá-las.

Massa coerente

O Modelo Padrão mostra que as partículas fundamentais são menos de duas dezenas e se dividem em dois tipos: férmions e bósons. Férmions são partículas que constituem a matéria -como os quarks (que formam os prótons) e os elétrons. Bósons são partículas que carregam forças -como o fóton, a partícula da luz, responsável pela força eletromagnética.

A omissão da física com a questão da massa, porém, ainda persiste. Ninguém mostra por que um próton tem 1.800 vezes o peso de um elétron e o fóton tem massa zero. A teoria a ser testada agora LHC, porém, pode ser a resposta.

Elaborada pelo físico inglês Peter Higgs, 78, em 1964, uma derivação do Modelo Padrão indica que o espaço deve permeado por um "campo" que pode influenciar as partículas existentes nele. As partículas mais influenciadas são as mais maciças, e aquelas que não interagem com o campo de Higgs não possuem massa.

Esse campo, previu Higgs deve ser mediado por uma partícula -um bóson, mais precisamente- não previsto nas versões iniciais do Modelo Padrão.

O bóson de Higgs, pois, é justamente o que os físicos mais esperam encontrar nos experimentos do LHC, mas sua existência ainda não pode ser tomada como uma certeza.

"Se não o encontrarem, existem outros mecanismos que não têm a mesma popularidade que o mecanismo de Higgs para fazer a unificação das interações [das partículas com massa], mas que podem vir a ter uma importância maior", disse à Folha, Alberto Santoro, físico da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) que comanda um grupo de brasileiros no CMS, um dos detectores do LHC. "Vamos passar por uma fase mais excitante, do ponto de vista científico, se o bóson de Higgs não for descoberto."

O sumiço da antimatéria

Um problema a ser analisado em um outro detector, o LHCb, diz respeito à natureza da matéria e da antimatéria. Uma é praticamente a mesma coisa que a outra, mas com carga elétrica invertida (prótons negativos, elétrons positivos etc.). Por alguma razão, porém, a matéria sobrepujou a antimatéria na evolução do Universo, e os cientistas querem entender por quê. Para isso, será analisada a assimetria no surgimento de matéria e antimatéria após à colisão de prótons no LHC.

"A assimetria nós já sabemos que existe; o importante agora é dar números a ela e torná-la uma medida precisa", explica Arthur Maciel, do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), que trabalha no LHCb. "É possível estudar o infinitamente pequeno, as menores porções de matéria -é o que se faz num acelerador de partículas-, para resolver problemas da estrutura e da evolução temporal do Universo."

Acelera Brasil

Há brasileiros em todos os grandes experimentos do LHC. Uma equipe da USP e da Unicamp participa do Alice, detector que vai simular o estado da matéria nos primeiros instantes após o Big Bang, a explosão que gerou o Universo.

O Atlas, o maior detector detector do LHC -que será um experimento de propósito geral-, também terá participação do Brasil, representado por físicos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Tanto no Atlas quanto no CMS será possível investigar questões que não estão diretamente relacionadas ao Modelo Padrão. Há alguma expectativa, por exemplo, de que o LHC possa dar alguma pista sobre a natureza da chamada matéria escura, que compõe 80% da massa do Universo mas que não emite luz nem nenhum tipo de radiação, por isso é invisível.

janeiro 15, 2008

Senhor, tende piedade de nós!
(autoria desconhecida)

Pelo projeto político do deputado Clodovil
Pelo "espetáculo do crescimento" que até hoje ninguém viu
Pelas explicações sucintas do ministro Gilberto Gil
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo jeitinho brejeiro DA nossa juíza
Pelo perigo constante quando Lula improvisa
Pelas toneladas de botox DA Dona Marisa
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo Marcos Valério e o Banco Rural
Pela Casa de Praia do Sérgio Cabral
Pelo dia em que Lula usará o plural
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo nosso Delúbio e Valdomiro Diniz
Pelo "nunca antes nesse país"
Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis
Senhor, tende piedade de nós!

Pela Cicarelli na Praia namorando sem vergonha
Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha
Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha
Senhor, tende piedade de nós!

Pela importante missão do astronauta brasileiro
Pelos tempos que Lorenzetti era só marca de chuveiro
Pelo Freud que "não explica" a origem do dinheiro
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo casal Garotinho e sua cria
Pelos pijamas de seda do "nosso guia"
Pela desculpa de que "o presidente não sabia"
Senhor, tende piedade de nós!

Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar
Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar
Senhor, tende piedade de nós!

Pela "queima do arquivo" Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos "hermanos compañeros" Evo, Chaves e Fidel
Senhor, tende piedade de nós!

Pelas opiniões do prefeito César Maia
Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia
Pela primeira dama catando conchinha na Praia
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo escândalo na compra de ambulâncias DA Planam
Pelos aplausos "roubados" do Kofi Annan
Pelo lindo amor do "sapo barbudo" por sua "rã"
Senhor, tende piedade de nós!

Pela Heloisa Helena nua em pêlo
Pela Jandira Feghali e seu cabelo
Pelo charme irresistível do Aldo Rebelo
Senhor, tende piedade de nós!

Pela greve de fome que engordou o Garotinho
Pela Denise Frossard de colar e terninho
Pelas aulas de subtração do professor Luizinho
Senhor, tende piedade de nós!

Pela Volta triunfal do "caçador de marajás"
Pelo Duda Mendonça e OS paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais
Senhor, tende piedade de nós!

Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"
Senhor, tende piedade de nós!

Pela máfia dos "vampiros" e "sanguessugas"
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na Praia com sua sunga
Senhor, tende piedade de nós!

Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança
Senhor, tende piedade de nós!

Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia DA Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta
Senhor, tende piedade de nós!

Pela invejável "cultura" DA Adriana Galisteu
Pelo "picolé de xuxu" que esquentou e derreteu
Pela infinita bondade do comandante Zé Dirceu
Senhor, tende piedade de nós!

Pela eterna desculpa DA "herança maldita"
Pelo "chefe" abusar DA birita
Pelo novo penteado DA companheira Benedita
Senhor, tende piedade de nós!

Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo MST e pela Volta DA Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha
Senhor, tende piedade de nós!

Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica DA Marta Suplicy
Senhor, tende piedade de nós!

Para que possamos ter muita paciência
Para que o povo perca a inocência
E proteste contra essa indecência
Senhor, dai-nos a Paz!

NORMOSE ( a doença em ser "normal")

Este texto me lembrou da música do Raul Seixas..."Enquanto você se esforça pra ser
um sujeito normal...e fazer tudo igual" (Maluco Beleza)



NORMOSE

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me
pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão.

Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se 'normaliza' acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos de comportamento amplamente
divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o
verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente,
e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada
um tem que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover
obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Martha Medeiros ( 05.08.07-Jornal Zero Hora-P.Alegre-RS)

janeiro 06, 2008

somos consumidores ou somos consumidos?????????



Pesticidas nos Alimentos

Dr. Imar Crisógno Fernandes, médico naturalista

Nos últimos anos, deparamo-nos com um vertiginoso crescimento do volume de agrotóxico comercializado no Brasil, tornando-nos um dos maiores consumidores de agrotóxicos em todo o mundo, correspondendo a um faturamento anual na casa de bilhões de reais. A continuar assim, teremos, em breve, condições de liderar esse fabuloso mercado. Tal situação traz como conseqüência, óbvia e direta, o aumento, inaceitável, dos riscos de contaminação de produtos da agropecuária com resíduos químicos prejudiciais à saúde.

O crescente emprego de agrotóxicos no Brasil, em moldes irracionais e completamente fora de controle, prende-se a diversos fatores, de complexa natureza. Passa pela expansão da fronteira agrícola e pela intensificação, via manejo, do desequilíbrio biológico do agroecossistema, até fenômenos de ordem sócio-econômica ligados ao êxodo rural e ao resultante incremento do cultivo químico com herbicidas.

À contínua diversificação dos fitoparasitas, soma-se a ocorrência, cada vez maior, de “picos” populacionais extremamente elevados e a generalizada detecção de resistência genética a agroquímicos, no que também se incluem as chamadas ervas invasoras. Nesse contexto, surgem a todo momento, recomendações de doses mais altas, de redução do período de tempo entre aplicações consecutivas e, mais importante talvez, de emprego simultâneo de diferentes agrotóxicos, objetivando complementar ações específicas ou alcançar efeitos sinérgicos (as já famosas "misturas de tanque").

Por outro lado, a incessante procura pela máxima produtividade, seja através do melhoramento genético, seja pelo próprio manejo das culturas, influencia, em muitas instâncias, a suscetibilidade das plantas cultivadas, relativamente ao ataque de pragas e agentes de doenças infecciosas. É hoje amplamente aceita a teoria de que o desequilíbrio nutricional, pelo uso massivo de adubos minerais de alta solubilidade, e a própria ação dos agrotóxicos aplicados à lavoura, provocam distúrbios fisiológicos capazes de alterar a composição dos tecidos vegetais, tornando-os mais facilmente colonizáveis por uma gama de fitoparasitas. Estabelece-se aí, também para o reino vegetal, o conceito de doenças iatrogênicas, ditadas pelos maléficos efeitos colaterais dos agroquímicos. Ainda o melhoramento vegetal, não obstante haver contribuído marcantemente para incrementar o potencial produtivo da maioria das espécies cultivadas, intensificou, sobremaneira, o grau de vulnerabilidade, na medida em que induziu ao estreitamento da base genética em monocultivos, que chegam, não poucas vezes, ao nível da exclusividade varietal.

Além de difícil de compreender, é decepcionante constatar-se a escassez de dados epidemiológicos na literatura nacional, capazes de orientar o controle químico aos fitoparasitas, a ponto de torná-lo, pelo menos, tecnicamente aceitável. Em número assaz insuficiente, são os trabalhos até agora divulgados no Brasil a respeito de aspectos básicos da fitossanidade, envolvendo sazonalidade e fluxos populacionais, sobrevivência e disseminação, monitoramento e limiar de danos, condições meteorológicas predisponentes, previsões e “estações de aviso”.

Em contrapartida, modelos epidemiológicos têm sido tentativamente elaborados através de simulações (“epidemiologia virtual”), sem que, muitas das vezes, os resultados sejam adequadamente comprovados no campo, de modo a constituir bases mais seguras para a racionalização do controle químico.

Em adendo, evidencia-se o expressivo respaldo oferecido por determinadas instituições da rede pública de ensino e pesquisa na agropecuária, por meio da constante publicação de dados experimentais sobre a eficácia de pesticidas, sem a mínima preocupação de correlacioná-la com possíveis riscos de contaminação de alimentos e/ou de poluição ambiental. Os fabricantes e distribuidores de agrotóxicos, mais que depressa, se apropriam desses dados, que passam a ser referenciados em sua agressiva e eficiente promoção.

Não podemos deixar de incluir, como parte desse respaldo à indústria, a despreocupação característica de certas sociedades científicas, ligadas às ciências agrárias, que reúnem a elite dos doutores especialistas, mas que sequer se pronunciam acerca dos seríssimos problemas gerados pela indiscriminada e abusiva utilização de agrotóxicos no país, além de sistematicamente recorrerem a multinacionais da química fina para o patrocínio de congressos e publicações, chegando ao extremo de veicular propaganda de venenos em anais e periódicos oficiais (Ribeiro, 2001).

Por fim, de não menos relevância nessa problemática, a quase absoluta omissão do poder constituído (Federal e Estadual) no que concerne à aplicação e ao cumprimento da Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989 (Lei dos Agrotóxicos, promulgada em 1990) e do próprio Receituário Agronômico, oficialmente instituído desde 1981. Tais instrumentos, se viabilizados, teriam certamente um importantíssimo papel na contenção dos descalabros ora verificados.

Responsabilize-se ainda os governos eleitos pelo descaso no que tange à implantação e desenvolvimento de laboratórios de referência, assim como à capacitação de pessoal técnico, imprescindíveis para atender a atual demanda quanto ao fornecimento de laudos sobre análises de resíduos tóxicos em amostras de produtos da agricultura. Leve-se em conta, a esse respeito, a necessidade de um contingente de especialistas, trabalhando com modernos equipamentos de precisão, em número suficiente para lidar com os cerca de 500 distintos princípios ativos, aplicados em escala na agricultura nacional e potenciais contaminantes dentre mais de 10.000 itens alimentares comumente requisitados pela população.

Estudos desenvolvidos por cientistas do sul do país levantam a suspeita do uso dos organofosforados, comprovadamente capazes de provocar alterações no sistema nervoso central, irritabilidade e depressão, estarem associados ao elevado índice de suicídios na região fumageira do Rio Grande do Sul (Falk et coll, 1996). Este mesmo produto está sendo usado em larga escala em lavouras de hortaliças de todo país, o que é proibido, conforme portaria do Ministério da Agricultura. Igualmente registramos que um outro agrotóxico, o gramoxone, ou paraquat, que por lei é liberado apenas para “uso aplicado”, isto é, pela empresa fabricante, é livremente adquirido nas revendas agropecuárias e utilizado pelo agricultor.

O uso de agrotóxicos na lavoura é feito pelo agricultor que, per si, desconhece o nível de veneno com que está lidando. Aplica-o sem proteção, uma vez que as vestimentas projetadas são (e serão) sempre inadequadas; não obedece a prazos de carência; foi estimulado pela extensão rural e fabricantes a tratar os venenos por “remédios” ou “defensivos agrícolas”. Costumeiramente os aplicadores de agrotóxicos recebem na pele o veneno responsável por uma série de males que se manifestam geralmente de forma lenta e gradual, não permitindo na maioria das vezes a associação do mal à absorção do agrotóxico.

Homens, mulheres e crianças estão sujeitas à exposição de agrotóxicos. As mulheres, devido ao efeito teratogênico (má formação genética) de alguns dos produtos liberados (como o caso dos organofosforados), estão tendo abortos ou gerando filhos defeituosos. As crianças, que tradicionalmente fazem parte da força de trabalho familiar rural, estão sujeitas a danos irreversíveis em sua formação física e mental.

Preocupa-nos sobremodo as chamadas Resoluções do Mercosul pelas quais o governo brasileiro aceitou a ampliação dos limites mínimos de resíduos tóxicos (LMRs) nos alimentos in natura importados dos países membros do Mercosul. Muito mais grave é que estes novos limites passam a ser tolerados pelo Brasil, ao arrepio da Lei e da saúde dos consumidores. Ainda recentemente o Governo, através do Ministério da Agricultura, voltou atrás em sua decisão de impedir a entrada no Brasil de batatas argentinas contaminadas por um anti-brotante de uso proibido, o IPC; devido a pressões do país vizinho, o Maara editou portaria que anula a anterior, liberando a entrada do produto.

A legislação que trata do assunto, a Lei 7.802/89 e o Decreto 98.816/90 que a regulamenta, tem sido inócua. O Estado não tem demonstrado forças para fazer cumprir a lei, deixando o consumidor, o trabalhador e a sociedade de um modo geral, à mercê de abusos de todo gênero. Estes fatos demonstram, de per si, que o uso de produtos agrotóxicos na agricultura brasileira se dá praticamente sem controle algum e sem políticas bem definidas.

Os riscos da presença de resíduos tóxicos em níveis não toleráveis são hoje incontestáveis. Nos EUA, a Agência de Proteção Ambiental (EPA), junto com o Departamento de Agricultura (USDA) e com a Administração de Alimentos e Drogas (FDA), publica e distribui gratuitamente à população, em todos os supermercados, um folheto anualmente revisado e intitulado Pesticidas nos Alimentos, instruindo e esclarecendo os consumidores sobre esses riscos. A situação dos agrotóxicos no meio rural brasileiro, é alarmante e se encontra inteiramente à deriva. Dosagens, prazos de carência e registros não são, regra geral, respeitados. Quando se pesquisam resíduos em produtos colhidos, verifica-se uma alta freqüência de casos positivos, ultrapassando os limites pré-estabelecidos.

Algumas questões pertinentes, a nosso juízo, deveriam ser priorizadas. Por exemplo: sobre a propalada “dose diária aceitável”. Tendo em vista o uso corriqueiro das “misturas de tanque” e sua crescente adoção para “resolver” problemas culturais, como estabelecer essa tal DDA? Deve a mesma ser estipulada por componente (p.a.) ou deve considerar o somatório deles e possíveis combinações e sinergismos? Note-se que as “misturas de tanque”, por iniciativa do IBAMA, sofreram recentemente embargos e restrições mediante legislação emanada do Ministério da Saúde. E quanto a substâncias com potencial cancerígeno já assinalado? Qual a unidade de referência: ppm, ppb, ou molécula? Qual o nível de tolerância nesses casos; diferente de zero???

Com referência aos registros de agrotóxicos para as inúmeras culturas, que critérios são realmente adotados e obedecidos no Brasil? Há necessidade de experimentação regional, incluindo análises de resíduos em produtos tratados e no meio ambiente? Ou parâmetros do estrangeiro podem ser extrapolados sem maiores exigências? Quem se responsabiliza e fornece os dados experimentais e onde são divulgados os resultados das pesquisas, com os respectivos laudos laboratoriais? Quem confere a metodologia selecionada para esses testes?.....É tudo sigiloso?

Questões cruciais como essas deveriam ser debatidas assídua e abertamente, com total transparência e máxima representatividade. Isto nos remete ao seguinte: qual a estratégia para o “desmonte” do gigantesco império dos agrotóxicos em nosso país? Como minimizar o problema, em tempo hábil? Esperar, bem-comportada e pacientemente, que a agricultura orgânica se eleve à condição de um grande e pujante agronegócio, substituindo de forma integral ou, pelo menos, significativa o modelo agroquímico convencional? Quantas décadas? Quantos males até lá? Iniciar, o quanto antes, um movimento organizado em nível nacional, com força, prestígio e credibilidade para desvendar, dentre outros, esses “mistérios” apontados e cobrar políticas públicas? Por exemplo: ressuscitar e pôr em prática a Lei dos Agrotóxicos (uma das mais avançadas do planeta) e o Receituário Agronômico? Será este um sonho irrealizável?

Comida e veneno são incompatíveis! Os agrotóxicos terão que ser, cedo ou tarde, banidos e retirados do comércio. No entanto, o sucesso de um programa de transição ou conversão, até que essa meta final seja esperançosamente alcançada, dependerá da união de esforços e, sobretudo, da capacidade de organizar e conduzir o movimento. As atividades e ações no país estão pulverizadas. É humanamente impossível acompanhá-las. O intercâmbio é inexpressivo, mas o número de adesões é grande e muito estimulante. A nosso ver, o momento é oportuno para a criação de uma Sociedade Brasileira de Agroecologia. Uma proposta democrática, reunindo os vários segmentos interessados da sociedade civil e com o compromisso de um abrangente campo de atuação. Organizar congressos pelo Brasil afora? Sim. Publicar uma revista técnico-científica indexada? Também sim; mas não somente.

Instituir, por exemplo, comitês de composição paritária, encarregados de estudar, investigar e propor medidas tecnicamente abalizadas, capazes de provocar transformações e impactos, mobilizar a opinião pública e, dessa maneira, concretamente defender trabalhadores rurais, agricultores familiares, consumidores e a própria qualidade de vida na roça e nas cidades.

Em alguns pontos do Brasil o governo local começa finalmente a preocupar cada vez mais intensamente com a questão dos orgânicos. É o caso do Paraná. O governo do Paraná aguarda o aval do governo federal para implantar em 2005 o projeto Orgânicos do Paraná, um programa já apresentado à Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex) e que vai ampliar a produção de alimentos livres de agrotóxicos no Estado. De acordo com o governador Roberto Requião, o Paraná é um dos Estados com maior potencial para a produção e exportação de alimentos orgânicos. O programa prevê, entre outras ações, a realização de seminários e workshops voltados à melhoria e ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologia especial para a produção orgânica (GloboRural, 2004). Por que isto não ocorre em nível nacional?!
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